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Jovens Personagens Velhos & Lista de Leitura

4 set


Os Jovens Personagens Velhos


Passei ontem rapidinho ali na Saraiva e confesso que não pude deixar de ficar um tanto quanto chocada (sou britânica em minhas reações, #medeixa)  com DOIS “romances” com que me deparei após uma rápida olhada nos balcões: uns certos “O Retorno do Jovem Príncipe” e “O Jovem Sherlock Holmes — Nuvem da Morte”

Peraí, tá certo isso? É o Pequeno Príncipe Jovem? (Hmm… “Há evidentemente uma contradição nesse depoimento…” #phoenixwrightfeelings).

Mas então esse lance de fazer versões jovens de personagens clássicos é uma tendência mundial, é isso mesmo, Arnaldo?

Pra quem acusava o Mauricio de Sousa de estar “deturpando” a infância alheia, fica aí uma amostra de que tem coisa bem mais preocupante rolando no terreno literário. Afinal, os personagens da Turma da Mônica são dele, e suas novas versões estão sendo feitas sob a supervisão do autor… mas toda vez que vejo um autor “moderno” pegando um personagem clássico (de autores há muito já falecidos, geralmente) e tentando fazer uma roupagem nova, não consigo deixar de ficar um pouco incomodada.

Claro que lê quem quer. Não é a primeira nem última vez que isso vai acontecer, e eu sigo o conselho que dou para todos: se não gosta de algo, ignore, não consuma. O que me incomoda mesmo é enxergar uma tendência à falta de ousadia. Como dizer… autores e editoras procurando ressuscitar personagens de outros tempos, dando-lhes uma sobrevida literária equivalente a de um zumbi, porque “é claro” que os fãs das obras clássicas e de ocasionais “revivals” do cinema (como é o caso de Holmes) irão consumi-las. É a procura pelo lucro de certa forma meio garantido. 

Quem tem um conhecimento mínimo de mercado editorial sabe que publicar livros (principalmente no Brasil) não é fácil e que nem todo autor vende como Stephen King ou J.K. Rowling. É compreensível que procurem por um porto seguro. No entanto, não consigo deixar de lamentar que estejam se fazendo “novas versões” de personagens que melhor estariam sossegados, com seus cânones deixados em paz, e tentassem criar algo novo…  

(E cá entre nós… “A Nuvem da Morte”? Conan Doyle podia não ser lá o autor mais hábil com as palavras, mas não o vejo dando um nome desses para um romance de Holmes. Se fosse um conto simples, talvez. Mas um romance…)


EDIT ~
Achei uma entrevista com A.G. Roemmers,  autor de “O Retorno do Jovem Príncipe” (clique no texto sublinhado para ler): 
e ainda arriscando parecer teimosia ou rabugice (bom, nunca neguei isso em mim…) serviu apenas pra solidificar meus receios. O teor “evangelizador” do trabalho não me inspira confiança. A meu ver, o melhor tipo de reflexão é à qual o leitor é conduzido de forma natural, com trabalhos que não se auto-rotulam para tal.

E fico ainda mais agoniada quando vejo testemunhos do autor da nova versão como “me dei a chance de dar uma continuação diferente, mais positiva e esperançosa para a maravilhosa história de Saint-Exupéry, que eu via como tendo um final sombrio e triste.” É assim que a obra que levar os jovens à reflexão? Há uma metáfora no final trágico do Pequeno Príncipe, existe uma RAZÃO pela qual o final do livro de Exupéry é triste, e cabe a nós levá-la em conta e refletir sobre ela. Principalmente, acredito que era essencial para a metáfora de Exupéry que seu personagem NÃO crescesse — o motivo do final ser sombrio está intrinsecamente  relacionado ao personagem ser criança.

Francamente, que mundo é esse onde as pessoas tem medo de finais “sombrios e tristes”, e tentam “corrigir” uma obra clássica sem levar em conta a mensagem que em si carrega?

No mais,  é difícil respeitar um autor que afirma Em minhas viagens vejo muito mais pessoas jovens brincando com iPads ou telefones do que com livros(os iPads e muitos dos celulares mais modernos facilitam a leitura via tela, oferecendo mais portabilidade que os livros de papel — ideal para viagens, diga-se de passagem) e ” jogos eletrônicos incentivam a coordenação e reflexos rápidos, mas não incentivam a observação profunda e a reflexão (…)”

Quanto a última afirmação, só posso assumir como ignorância sobre os temas de muitos jogos e que podem sim fazer a ponte entre um jovem e reflexões a respeito de moralidade, espiritualidade, sentido da vida e muito mais. Até pelo jogador estar na pele do personagem, tomando decisões, o que o afeta no jogo é analisado e levado em conta, suscita emoções. Talvez não leve à reflexão “profunda” como alguns livros fariam — mas até aí, não seria um tanto quanto presunçoso admitir que é o “Retorno do Jovem Príncipe” que dará conta dessa demanda?

 


Leituras  (Setembro/2011)


Uf. E exatamente como eu previa… até parece que consegui anotar os dias em que comecei e terminei cada um dos meus livros.  Fazer-o-quê.

De qualquer forma, a lista já diminuiu consideravelmente. Preciso começar a pensar em mais títulos pra adicionar… 

(A verdade é que eu precisava MESMO é continuar lendo o Game of Thrones, que é excelente… mas que interrompi por estar mais ansiosa pra consumir os outros títulos.) #shameonme

Falando em novos títulos, estou considerando ler “A Letra Escarlate”

 

Carmilla (A Vampira de Karnstein), Sheridan La Fanu 

O Castelo de Otranto, Horace Walpole 

Contos de FantasmasDaniel Defoe

Crônicas de Gelo e Fogo: Volume 1J.R.R. Martin (Início da leitura: 4/8) 

O Grande Livro de Histórias de Fantasmas, diversas autoras

Histórias de Vampiros, diversos autores 

A Lenda do Cavaleiro Sem CabeçaWashington Irving  

Lugar Nenhum, Neil Gaiman

Pente de Vênus, Heloísa Seixas

 A Volta do ParafusoHenry James (Início da leitura: 13/8)


[EDIT]  P.S. ~ E pra completar, a Bienal do Rio de Janeiro rolando e eu aqui… *chora*